Wednesday, February 09, 2005

Confissão...

Nada de orelha de porco, pata, toucinho ou paio.
O que eu queria mesmo era a Alinne Moraes.
Eitas beiço bão que eu cortava e colocava na feijoada!!! :)))

Monday, February 07, 2005

Fazia meia hora que ele estava olhando para aquele dormente incrustado na calçada da rua entre alguns tufos de mato.
Pensava consigo mesmo: "Piso ou não piso?"
E aquela foi uma das maiores lutas de sua existência. Ninguém que passava na rua imaginava o que se passava ali. Todos viam apenas um homem paralisado diante de um velho dormente.Mas para ele, era um assunto da mais suma importância.
Ficava pensando naquele dormente que um dia tinha sido árvore, e não conseguia deixar de imaginar a seiva correndo por dentro de cada um dos veios daquele toco de madeira. Toco, não! Era um pedaço importante de uma árvore viva! E pensava na copa frondosa que aquela árvore tivera. Nas suas frutas. Pensava no terreno onde a árvore tinha sido plantada. E de que pedaço do tronco teria saído aquele dormente? Não seria pecado pisar num ser que já tinha sido vivo?
E pensava nas consequências astrais que sua atitude teria, caso tivesse sido consumada. Aquele momento poderia influir na sua vida astral imediata, e talvez até em todos os seus ciclos cármicos! Não! Aquele toco velho não poderia ser jamais pisado. Ele era sagrado.
Mas se era sagrado, como fazer então para que as pessoas não pisassem nele? Cercar o terreno em volta não seria possível, pois a calçada é pública. Só se, na calada da noite, ele roubasse o dormente com a ajuda de algumas ferramentas e colocasse o dormente em um santuário, ou um templo, ou algo assim. Ali ele não poderia ficar. Mas enquanto sua cabeça fervilhava nessas considerações, um pensamento gelou sua espinha: como remover o Dormente Sagrado sem que este não fosse tocado? Ele realmente não sabia o que fazer. Poderia contratar uma retroescavadeira que removesse um metro de terra para cada lado do Dormente Sagrado e abaixo desse, de modo que a única coisa que poderia tocar o Dormente Sagrado seria a terra que já o tocava. Hummm... não. Essa saída era muito cara.
E se ele montasse uma tenda em volta do dormente e montasse guarda ali? É, poderia ser... mas até que ele comprasse uma tenda e voltasse para aquele lugar, alguém poderia, nesse meio tempo, roubar o Dormente Sagrado! Ou então até pior, alguém poderia jogar um chiclete mascado nele! Seria esse então o pior dos sacrilégios, uma coisa terrível! Não. Quem fizesse isso haveria de pagar com a própria vida. Só de imaginar tal coisa seu sangue fervia. Sentia ódio de quem pudesse fazer isso.
Nesse momento ele já olhava para as pessoas próximas que pudessem estar mastigando ou mascando qualquer coisa. Olhava-as com um ódio quase incontido, um olhar de fuzilamento. Se pudesse, faria com que a pessoa se vaporizasse instantaneamente ao vislumbrar qualquer ameaça de cuspe ou mesmo de um simples perdigoto. Não! Nenhum desses infiéis se aproximaria do Dormente.
O Dormente! Ele era o mais importante. Agora sentia-se culpado por ter se esquecido do Dormente Sagrado por alguns instantes. Tinha que pensar em protegê-lo. Daria a sua vida por ele. Mas como cuidar Dormente sem ferramentas, sem uma tenda, sem velas para oferecer orações a essa deidade que o dominava e com a qual ele se identificava? Novamente ocorria a idéia de que não poderia se distanciar por causa dos infiéis. Cuspes. Perdigotos. Não, ele não poderia se distanciar. Não poderia tirar os olhos do Dormente. Todo sacrifício era válido pelo Dormente Sagrado.
E ficou assim imóvel, se esquecendo do serviço de banco, do cachorro, da namorada.
Numa atitude de desespero, ao ver que algumas gotas d´água caiam do céu, quebrou alguns galhos de uma árvore e com eles montou uma pequena cobertura usando sua própria roupa.
E passou ali a noite, velando pelo Dormente. E nasceu o dia, e veio novamente a tarde e a noite, e lá estava aquele homem, embevecido pela revelação de que deveria depositar todas as suas esperanças naquele Dormente.
Só que nesse momento, não havia mais esperança nenhuma nele que pudesse depositar.
Não era mais homem. Tornara-se bicho.
O encanto da vida havia desaparecido de seus olhos.
E ninguém nunca mais soube se ele tinha ido embora, se tinha sido levado.
De sua existência sobraram apenas alguns trapos rasgados.
Nada mais.

Saturday, February 05, 2005

Tudo isso acontecera logo antes da primeira grande chuva de bigornas
O céu pretejava e rangia
E os biguás de peito amarelo que nada entendiam daquilo tudo
Acabaram fugindo pras bandas das matas de nem sei.
Mas as porcas e parafusos
E os clipes de papel retorcidos
Eram de uma alegria só.
Os homens carrancudos
Não gostaram nada daquilo.
Compraram tampões de ouvido
E cobriram seus telhados de chiclete mascado
(quem mascou o chiclete foram eles
e suas tias velhas
com mais uma porção de pessoas caretas).
E foi então que o Primeiro Império dos Dentistas começou.